07 janeiro 2008

ANC como Associação de Proprietários de Veleiros

1. A ANC como associação de Proprietários

A ANC tal como as suas antecessoras – a AVC e a APVC – foi constituída, por vontade expressa dos seus fundadores, como uma associação de proprietários de embarcações à vela.

Nos idos da segunda metade do século passado, quando aquelas associações foram criadas, os proprietários das embarcações então existentes constataram que os seus problemas e a defesa dos seus interesses não podiam ser, com eficácia, resolvidos pelos Clubes Náuticos a que pertenciam. Estes, quer pela sua natureza, quer pela falta de homogeneidade da sua massa associativa, não estavam em condições de corresponder à necessidade sentida.

Certamente que, então como hoje, esses clubes desenvolviam (e continuam a desenvolver) actividades meritórias aglutinando os amantes dos desportos náuticos, ensinando e formando nas suas escolas novos velejadores, organizando regatas e outros eventos, etc.. Mas quanto àquilo que especificamente interessava aos proprietários, pouco podiam fazer, pois no seio dos seus associados aqueles que dispunham de barco não passariam de uma minoria.

E assim os proprietários juntaram-se e formaram aquelas associações - de que a ANC é hoje a herdeira a nível nacional - para que, em conjunto e utilizando a força de pressão que decorria da sua unidade, pudessem intervir de forma a ter uma palavra naquilo que lhes dizia particularmente respeito: a disponibilidade, e a baixo custo, de espaços de estadia a seco e a nado, a existência de apólices de seguro em boas condições, a possibilidade de poderem influir na criação ou alteração da legislação náutica nomeadamente no que respeita à forma de registo, às regras e imposições de equipamento de segurança, à livre prática dos planos de água existentes, etc, etc.

Em suma, concluíram que, para a defesa dos seus interesses de Proprietários, teriam de ser representados por uma Associação de Proprietários gerida por Proprietários.

Ontem como hoje, esta ideia orientadora continua válida. Não são os nossos amigos, amantes do mar como nós, que convidamos para velejar connosco, nem mesmo os nossos tripulantes que muito estimamos que, mesmo que sócios, poderão estar à frente do governo da ANC. Não porque não tenham méritos e qualidades. Têm-nos. Não têm é sensibilidade para tal, pois não sentem como nós na pele, nem no bolso, os muitos condicionalismos com que nos defrontamos.

Tendo isto presente, a candidatura “Renovar a ANC - Unir e Defender os Sócios”, foi constituída única e exclusivamente por Proprietários de Veleiros de Cruzeiro, com apreciável currículo náutico, e, na sua vida profissional, todos gestores competentes com provas dadas.

2. A ANC como associação de Veleiros

A ANC dispõe nos seus estatutos que se destina a promover, a orientar e a defender a classe de veleiros de cruzeiro. Diz veleiros e não embarcações de cruzeiro. É precisa e concisa. Só embarcações à vela nela se deverão inscrever.

Tal disposição não é uma limitação. É sim uma afirmação de identidade!

É certo que entre as embarcações a motor também as há de recreio e cruzeiro. Sulcam o mesmo meio liquido que nós. Mas não pertencem ao nosso universo. São um mundo à parte.

Os seus proprietários não tem a mesma filosofia que nós nem a mesma maneira de estar no mar. A prática da actividade é muito diferente.

E se a ANC existe para em conjunto podermos, com mais força, lutar pelos nossos direitos, também existe para podermos organizar eventos - regatas e cruzeiros - de que nós tanto gostamos e que só por nós podem ser usufruídos.

Na antiga AVC, no seu princípio, ainda se abriu a porta de algumas iniciativas aos barcos a motor. Mas cedo se viu que nada nos unia e mesmo nas actividades, poucas, que se fizeram em conjunto, cedo se criavam grupos à parte.

É certo que os proprietários de barcos a motor se defrontam com alguns problemas que também são os nossos. Mas neste particular nada impede que as suas associações e a nossa se unam para congregar esforços.

Pretender, pois, abrir as portas da ANC a outras embarcações que não veleiros, para além de anti-estatutária, é uma medida que desvirtua a nossa associação, onde o amor pelo Mar Alto, pelo domínio dos Elementos e pela prática da Vela são aquilo que nos une e nos faz trabalhar em conjunto.

Saudações Náuticas
João Moreira Rato

1 comentário:

Anónimo disse...

Bem Dito!

Estas são duas das razões que me fizeram optar por subscrever esta lista!

Boa Sorte!

Nuno Leónidas